Brasil Ride

Cory Wallace (CAN) e Gaia Ravaioli (ITA) vencem o Mundial MTB 24h Solo no MS

on

Cory Wallace comemora o tricampeonato. (Foto: Fabio Piva / Brasil Ride)

O município de Costa Rica, na região Norte do Mato Grosso do Sul, escreveu mais um bonito capítulo de sua breve história de 39 anos. Neste fim de semana, a cidade sediou a oitava edição do Campeonato Mundial Mountain Bike 24 Horas Solo, o primeiro realizado na América Latina. Após cerca de 24 horas de muita emoção e adrenalina, o canadense Cory Wallace e a italiana Gaia Ravaioli sagraram-se campeões do mundo na categoria elite. Enquanto Cory concluiu 16 voltas em 23h14min55, e levou o terceiro título consecutivo, Gaia foi a vencedora entre as mulheres, completando 14 voltas em 24h17min50, repetindo o feito de 2017.

Cory Wallace percorreu pouco mais de 460 km, em 16 voltas, para vencer, à frente de Mario Veríssimo (BRA) e de Ernesto Mora (PAR), segundo e terceiro colocados, respectivamente. O canadense já havia vencido em Finale Ligure (ITA), em 2017, e em Fort William (GBR), em 2018. Após um começo em que Mario esteve em primeiro e depois Taylor Lideen (EUA) liderar no início da noite de sábado (27) – porém terminou em décimo lugar após sentir dores na perna direita -, Cory manteve-se concentrado para ocupar a primeira colocação na oitava volta e, assim, administrar a vantagem nas 12 horas finais.

“Toda competição é única. O primeiro título foi especial, porque ocupei o trono que era do Jason English, até então multicampeão do mundo nas 24 horas. A segunda conquista foi importante por uma questão de afirmação e a terceira, aqui em Costa Rica, é a cereja do bolo”, disse Cory. “Ser campeão três vezes é algo surreal. Parece que foi ontem que conquistei o título pela primeira vez. Fico feliz de estar aqui no Brasil e, assim como os outros estrangeiros, poder ajudar a elevar o nível do mountain bike brasileiro”, finalizou Cory.

“O Mundial deste ano tinha um percurso que exigia paciência. Na maior parte do tempo, pedalávamos muito rápido. No fim, é sempre uma corrida mental em que você vive cada parte de uma maneira. O começo do circuito era mais travado, com muitas árvores e single tracks (trilhas estreitas), depois mudava o perfil com vento e estradas de terra”, comentou o tricampeão.

Vencedor do Pré-Mundial em 2018, quando completou 12 voltas no circuito sul-mato-grossense, Mario Veríssimo pedalou as mesmas 16 voltas voltas do tricampeão mundial neste ano, porém, em pouco mais de 1h20 de que Cory. O paraguaio Ernesto Mora fechou o top 3, com 14 voltas completadas.

“Inexplicável a sensação que tenho ao conquistar esse vice-campeonato mundial. Lógico que eu queria ser o campeão, mas sei que uma prova de 24 horas é diferente em relação à minha especialidade, a maratona (XCM). Estou muito feliz, porque não parei para dormir e me sinto satisfeito por ter representado meu País tão bem em um Campeonato Mundial. Agradeço a todos que me apoiaram e torceram por mim”, relatou Veríssimo.

Elite feminina – Entre as mulheres, Gaia Ravaioli foi a líder do começo ao fim e em momento nenhum diminuiu o ritmo, pedalando por pouco mais de 400 km. Cotada entre as favoritas, a ucraniana Elena Novikova acabou se acidentando no fim da tarde de sábado e encerrou a competição em décimo lugar, com suspeita de fratura no ombro direito. O top 3 teve as brasileiras Lucinei Marega e Hildebranda Leal, com 12 e 11 voltas completadas, respectivamente.

Gaia Ravaioli festeja título. (Foto: Fabio Piva / Brasil Ride)

“Estou realmente feliz por essa conquista, principalmente porque em 2018 perdi a camisa de campeã mundial na Escócia. Prometi para mim mesma que reconquistaria esse título. Treinei muito forte e foquei bastante nesta corrida. É um sonho realizado”, vibrou Gaia. “Tudo isso só foi possível porque tive meu marido Alessandro ao meu lado. Ele me acompanhou aqui na prova e fez o meu suporte. Esta vitória é nossa”, completou.

Assim como os demais ciclistas, Gaia também não poupou elogios à organização. “O percurso era muito rápido. A organização foi perfeita em termos de logística e segurança da pista. As pessoas no Brasil são incríveis, bastante humanas e calorosas. Agradeço demais por ter sido tão bem recebida.”, concluiu a italiana.

Mario Veríssimo exibe bandeira brasileira
(Fabio Piva / Brasil Ride)

Superação consagrada – Entre as 21 disputas que tiveram definidos os campeões mundiais de 2019 na tarde deste domingo (28), uma delas foi mais do que especial. A edição deste ano marcou a estreia da PCD – pessoas com deficiência – na competição internacional. O campeão foi o sul-mato-grossense Bruno Paim, que conseguiu assumir a liderança apenas na segunda metade das 24 horas, quando o então líder, Eduardo Sanches, não conseguiu continuar na disputa. Em 23h52min37, Paim completou 12 voltas e ficou à frente de Victor Luise – 23h29min02 e 11 voltas.

Organizador campeão do mundo – Ciclista e organizador bastante conhecido pelo público do mountain bike, Mario Roma também faturou a camisa de campeão mundial na categoria 55 a 59 anos. Em uma disputa muito acirrada com Plínio de Souza, o fundador da Brasil Ride pedalou por 25h34min19 (14 voltas), ao passo que Plínio fechou a competição em 22h12min13 (12 voltas).

Mario Roma comemora título. (Foto: Fabio Piva / Brasil Ride)

“Minha estratégia definida não tinha muito segredo. Era só fazer força. Somente isso. O Plínio foi um adversário maravilhoso. Já havíamos competido anteriormente e o fair play entre nós é enorme. Se tem uma pessoa boa de briga, essa é o Plínio. Estou contente por nós dois. Neste dia foi a minha vez, mas na próxima pode ser ele”, comentou Roma. “Muito bom poder deixar esse legado, não só por termos realizado o Campeonato Mundial, mas também pelo intercâmbio e troca de experiências entre os atletas. Temos o primeiro campeão mundial na PCD (Pessoas com Deficiência), o Bruno Paim, e isso ficará para sempre na história. São essas coisas que nos marcam”, completou.

Durante a cerimônia de premiação, Mario Roma fez questão de agradecer ao presidente da WEMBO (Organização Mundial de Mountain Bike Endurance), Russel Baker, e ao prefeito de Costa Rica, Waldeli dos Santos Rosa, por terem acreditado em seu projeto e entregou a eles o troféu de Incentivadores do Esporte. “Gostaria de registrar meu agradecimento ao Russel e ao Waldeli, por serem duas pessoas que acreditam no esporte e também em nosso trabalho. Sem eles, não teríamos o Mundial no Brasil”, concluiu o campeão mundial na categoria 55 a 59 anos.

Os campeões mundiais Solo
(Fabio Piva / Brasil Ride)

Demais categorias do Mundial – Nas demais categorias em disputa no Campeonato Mundial MTB 24h Solo, os campeões foram: Andrew Howett (single speed); Luisa Silveira e Felipe Nonato (sub-23); Katia Cristina e Anycleison Cavalcante (23 a 29 anos); Valeria Crema e Bruno Nunes (30 a 34 anos); Julia Ribeiro e Carlos Henrique Paixão (35 a 39 anos); Julyana Machado e Leandro Rambo (40 a 44 anos); Ana Paula Pereira e Juliano Gehrke (45 a 49 anos); Claudia Fiess e Valter Paes (50 a 54 anos); Brigitte Giurizzatti e Mario Roma (55 a 59 anos); e Dennis Smaggus (over-60).

Top 5 elite:

Masculina
1-Cory Wallace (CAN) – 23h14min55 (16 voltas)
2-Mario Veríssimo (BRA) – 24h34min41 (16 voltas)
3-Ernesto Mora (PAR) – 23h38min28 (14 voltas)
4-Fagnu José (BRA) – 23h27min43 (13 voltas)
5-Valdeir Souza (BRA) – 24h31min16 (13 voltas)

Feminina
1-Gaia Ravaioli (ITA) – 24h17min50 (14 voltas)
2-Lucinei Marega (BRA) – 24h16min11 (12 voltas)
3-Hildebranda Moreira (BRA) – 23h14min35 (11 voltas)
4-Sheila Mendonça (BRA) – 24h49min53 (11 voltas)
5-Fabricia Terra (BRA)- 23h12min47 (9 voltas)

Números da edição – Doze países participaram do Mundial MTB 24h Solo: Brasil, Canadá, EUA, Itália, Reino Unido, Paraguai, Ucrânia, Argentina, México, Portugal, Austrália e Espanha. Com total de 241 participantes na disputa solo, a edição de 2019 superou o Mundial da Escócia, em 2018, quando 151 ciclistas estiveram no país do Reino Unido, em Fort William.

Recommended for you

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *