Elas no Pedal

A relação exclusiva entre a mulher e a bicicleta

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Geometria diferenciada em relação aos modelos unissex melhora o conforto e o desempenho da pedalada feminina. (Foto: divulgação/Sense)

A bicicleta foi símbolo da emancipação da mulher, de autonomia e empoderamento feminino em diversos países, como Estados Unidos, França e Inglaterra. Este fato aconteceu há quase 200 anos, entretanto, não faz muito tempo que a oferta de bicicletas para mulher no Brasil se resumia a um apelo estético, normalmente representado por um quadro cor de rosa e alguns acessórios específicos.

Com o crescimento do uso da bicicleta para a mobilidade nas grandes cidades e, consequentemente, para a prática esportiva, as mulheres passaram a conquistar uma participação de destaque neste mercado. Em Belo Horizonte, por exemplo, o número de mulheres pedalando saltou mais de 300% em oitos anos (fonte: BH em Ciclo).

Atenta a este movimento, a Sense Bike, uma das maiores fabricantes nacionais de bicicleta, começou a estudar soluções que viessem a atender as necessidades e características da mulher. Henrique Ribeiro, CEO da Sense Bike, explica que na maioria dos casos, o corpo feminino tem diferenças anatômicas em relação ao masculino, e por isso “era fundamental desenvolver bicicletas que respeitassem todas as suas particularidades e biotipo, permitindo que a mulher tenha um pedal mais adequado, com maior desempenho e mais conforto”.

Ao comparar uma mulher e um homem de mesma altura, é possível perceber que, na maioria dos casos, ela tem pernas mais compridas e ele um tronco mais alongado. Além disso, as mulheres costumam ter braços mais curtos e ombros mais estreitos. Os ossos do quadril, responsável por apoiar o corpo, também são diferentes. “Estas características são determinantes a hora de confeccionar uma bicicleta feminina, onde proporção e anatomia precisam ser respeitadas”, completa o executivo.

Um dos segredos que diferenciam uma bicicleta feminina das demais está no quadro, em especial na relação entre o Reach (alcance ou comprimento) e o Stack (altura). Trata-se de duas linhas imaginárias que indicam a distância horizontal desde a caixa do movimento central até o centro da caixa de direção (Reach) e o comprimento vertical desde a caixa do movimento central até o topo caixa de direção (Stack).

Na bicicleta “unissex” ou masculina o Reach é maior e Stack é menor, uma vez que o homem possui um tronco maior. Em um modelo voltado especialmente para a mulher, esta condição se inverte. Com pernas mais longas e braços mais curtos, a relação precisa de uma altura maior (Stack) que o comprimento (Reach). Distâncias grandes entre o guidão e selim, comum em bikes masculinas, podem, por exemplo, resultar em formigamento das mãos, além de dores no pescoço, pulsos e nas costas.

No desenvolvimento da bicicleta mais coerente ao biotipo da mulher, é importante considerar ainda a aplicação de guidões mais estreitos, freios mais curtos e rodas menores. E com o quadro menor, é preciso também diminuir o pedivela para ganhar desempenho. O quadril mais largo exige selins que acompanhem esta característica, para acomodar um tipo de corpo diferente do masculino.

É o caso da Intensa, bicicleta feminina desenvolvida pela Sense Bike. Uma mountain bike (MTB), excelente para fazer trilhas, mas com geometria do quadro pesquisada e construída para o corpo da mulher, assim como o selim e as manoplas ergonômicas que se adaptam melhor a sua anatomia. A opção pela suspensão a ar em substituição a de mola também é adequada para pessoas mais leves, pois possibilita trabalhar com uma calibragem mais macia.

Seu quadro possui o tubo superior mais curto e baixo proporcionando maior comodidade. O comprimento entre a caixa do movimento central – onde está conectado o pedal – até o centro do guidão foi encurtado em 2 cm na comparação com uma bicicleta convencional, mesma redução encontrada no espaço entre o selim e o guidão. O intervalo entre os eixos – distância entre o ponto de contato no solo das rodas dianteiras e traseiras – também caiu outros 2 cm. Parece pouco, mas esta pequena diferença permite que a geometria se adeque melhor ao perfil feminino, permitindo uma pedalada com mais conforto e maior eficiência.

“Para a Sense Bike, lugar de mulher é na trilha, é na rua, é onde ela quiser, sem preconceito, sem rótulos, sem limites”, conclui Ribeiro.

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