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Henrique Avancini faz história com 4º lugar no Mundial de XCO da Austrália

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Avancini pedalou forte (Crédito: Michelle Mondini)

Muitos acreditam na dificuldade do fuso horário, clima, desenho da pista, mas a verdade é que para Henrique Avancini, 28 anos, nenhuma condição teria espaço para atrapalhar sua performance durante o Campeonato Mundial de Mountain Bike XCO 2017. Com uma prova agressiva e muito consistente, Avancini fez história para o ciclismo brasileiro e disputou de igual para igual as medalhas disponíveis na competição mais importante da temporada terminando na inédita quarta colocação.

“É um resultado importante pra minha carreira e também para o Brasil. Venho trabalhado muito a algum tempo já e tem sido uma jornada e tanto chegar até aqui. É uma luta muito grande, tive que superar momentos de dificuldade nos últimos anos, mas sempre acreditei que estava seguindo no caminho certo e que os grandes resultados e boas performances chegariam em algum momento. Tenho aprendido muito com tudo que vivo dentro do mountain bike, mas sei que ainda tenho muito para aprender e estou muito feliz”, declarou Avancini.

Com os resultados expressivos alcançados nas últimas temporadas, sempre levando o nome do Brasil para as principais competições mundiais, Henrique Avancini, que atualmente defende a equipe alemã Cannondale Factory Racing, entrou no Mundial deste ano motivado a superar mais uma marca e brigar pelas primeiras colocações contra os melhores ciclistas do mundo, mostrando todo potencial e a verdadeira qualidade dos atletas brasileiros.

Ainda nos primeiros metros após a largada, os ciclistas literalmente se amontoaram para definir as posições iniciais, mas Henrique Avancini sobreviveu firme e poucos metros depois já se colocava entre os cinco primeiros, posição que manteve até o final da corrida. O brasileiro Luiz Henrique Cocuzzi também fez uma boa largada e ganhava posições quando acabou caindo depois de escorregar nos obstáculos da pista. Com o acidente, sua bicicleta ficou danificada e foi obrigado a abandonar a competição.

Avancini completou a primeira volta (7 voltas no total) na terceira colocação, passando a linha de chegada escapado com o tcheco Jaroslav Kulhavy, o francês Maxime Marotte e o suíço Nino Schurter. Aos poucos o percurso desgastava os atletas e a classificação começava a ser definida. Na metade da prova os líderes foram alcançados pelo suíço Thomas Litscher, que ao lado do seu compatriota Nino Schurter e do tcheco Jaroslav imprimiram um forte ritmo e iniciaram uma nova escapada.

Avancini comemora resultado histórico para
o Brasil. (Crédito: Michelle Mondini)

Definição
Pedalando na perseguição dos líderes, Henrique Avancini não desanimou e durante todas as voltas manteve a diferença sempre abaixo de um minuto, apresentando uma regularidade incrível de quem realmente estava disposto a brigar pela vitória. Enquanto isso o trio se revezou na liderança da prova até a última volta, quando Nino Schurter aproveitou um momento de distração do tcheco para acelerar e seguir isolado rumo ao sexto título mundial com o tempo de 1h27min44s. Jaroslav Kulhavy marcou 1h27min51s e ficou com a prata, enquanto Thomas Litscher fez 1h27min59s e levou o bronze.

O brasileiro Henrique Avancini completou o percurso na quarta colocação com 1h28min55s e registrou o melhor resultado do ciclismo brasileiro em campeonatos mundiais. “É uma sensação muito gratificante poder fazer uma prova tão regular entre os melhores do mundo. Essa é mais uma barreira que estamos colocando abaixo, mostrando que podemos formar uma nova cultura esportiva. Obviamente sabemos que demanda tempo e não é fácil de ser construída, mas ao mesmo tempo acredito que é possível e que resultados assim ajudam e facilitam as portas se abrirem para outros atletas também serem reconhecidos. Mais uma vez destaco que fico muito feliz e muito honrado por estar fazendo parte desse legado tão importante para nossa modalidade”, destacou Henrique Avancini.

Chegada. (Foto: Michelle Mondini)

Trabalho de sucesso
Demonstrando um trabalho realizado voltado para os novos campeões e as categorias de base, o ciclismo brasileiro encerra mais um Campeonato Mundial e se posiciona como uma das modalidades olímpicas mais regulares no período pós olímpiada, colocando em evidencia o excelente trabalho realizado pela Confederação Brasileira de Ciclismo nos últimos anos.

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Apesar das dificuldades, as seleções nacionais até o momento da atual temporada já protagonizaram resultados expressivos e inéditos na história do esporte brasileiro. A equipe brasileira de paraciclismo conquistou recentemente o título geral da Copa do Mundo e também o título Mundial na prova de resistência com o para-atleta Lauro Chaman.

Nos mundiais de Mountain Bike, Henrique Avancini terminou no TOP15 na prova de MTB Marathon e agora ficou com TOP5 no Cross Country Olímpico, demonstrando muita qualidade e potencial. Nas provas do MTB feminino, Raiza Goulão conquistou a 14ª colocação história no Mundial 2017 e vem quebrando barreiras levantando a bandeira do Brasil em várias competições do calendário internacional.

No Ciclismo BMX os brasileiros conquistaram o atual título Pan-Americano da categoria Junior com Paola Reis e ainda levaram a medalha de prata com Priscilla Stevaux na Elite, enquanto no Ciclismo de Estrada a seleção também garantiu os títulos Pan-Americanos com os ciclistas Leonardo Finkler (Junior) e Wellyda dos Santos (Sub-23), além da medalha de prata conquistada por Tatielle Valadares também na Sub-23.

“Mesmo com as dificuldades e o pouco recurso disponível conseguimos dar continuidade ao planejamento e aos bons resultados. Estamos fazendo o nosso melhor e continuaremos trabalhando para revelar novos talentos e manter o Brasil como destaque nas principais competições mundiais das cinco disciplinas olímpicas”, comentou José Luiz Vasconcellos, presidente da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC).⁠

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